
Antes das pistas internacionais, dos percursos a 1,60 metro e da bandeira sul-africana ao lado de seu nome, havia um menino de 12 anos no Brasil diante de uma pergunta inesperadamente decisiva: ele estava disposto a usar culotes de hipismo?
Charlie Bays e o irmão começaram a fazer aulas de equitação por iniciativa da mãe em 1999. Os cavalos já faziam parte da história familiar — o avô materno havia sido jóquei de steeplechase —, mas somente Charlie continuou quando montar deixou de ser apenas uma aula ocasional. O irmão não se convenceu com a roupa. Charlie ficou.
Aquela escolha de infância tornou-se uma vida dividida entre cavalos, alunos, proprietários e aeroportos. Bays cresceu como cavaleiro internacional sul-africano e treinador, com a vida profissional construída no Brasil. Mais tarde, formou-se em Equine Science pela Hartpury College, incorporando biomecânica e fisiologia do exercício ao trabalho de preparar cavalos para o alto rendimento.
Um conjunto formado, não montado às pressas
Ninety Stone Pullman é um Brasileiro de Hipismo nascido em 2014, filho de Zavall VDL em linha materna de Emilion. O alazão chegou ao trabalho de Bays recém-domado. O cavaleiro não recebeu a versão pronta do cavalo que agora aparece nas inscrições da África do Sul para Aachen; ajudou a construí-la.
Por trás dessa inscrição existem anos de decisões: quando exigir mais, quando proteger a confiança, como variar os pisos e de que maneira manter um cavalo experiente mentalmente fresco. Bays já explicou que Ninety responde especialmente bem quando o trabalho vai além da pista. A variedade, e não a repetição sem fim, tornou-se parte do método.
O resultado é um conhecimento que não se recria em algumas provas preparatórias. Bays sabe como Ninety se sente antes de um salto, como reage depois de uma viagem e quanta pressão consegue absorver sem perder a disposição. Aachen colocará cada parte dessa relação à prova.
A temporada que mudou o tamanho do sonho
A virada chegou em fevereiro de 2025, no Clube Hípico de Santo Amaro. No Clássico a 1,45/1,50 metro do Torneio de Verão, cinco conjuntos avançaram ao desempate. Charlie e Ninety foram os únicos a voltar sem faltas e venceram em 40s38. Foi a primeira vitória de ambos em um Clássico.
Três meses depois, a história subiu de nível. O GP da Copa São Paulo, Troféu Roberto Luiz Joppert, foi armado a 1,55/1,60 metro em dois percursos. Charlie e Ninety trouxeram quatro pontos da primeira volta, mas fizeram o único percurso sem faltas na segunda e conquistaram o título. O primeiro GP juntos mostrou que o longo processo de desenvolvimento se sustentava na altura do Senior Top.
A campanha de 2025 ainda levou Bays ao terceiro lugar da liga sul-americana Sul da Copa do Mundo de Salto da FEI. Mais importante, uma temporada brasileira consistente abriu espaço para uma campanha internacional contínua na Europa.
Europa, percursos limpos e uma nova pressão
Em 2026, o conjunto deixou a familiaridade do circuito brasileiro e começou a acumular quilometragem internacional. Na Copa das Nações de Lisboa, Charlie e Ninety fizeram percurso limpo na primeira rodada pela África do Sul. Em julho, no CSI4* de Valkenswaard, terminaram em quarto lugar em uma prova a 1,50 metro e chegaram ao oitavo lugar no GP a 1,55 metro.
Esses resultados não transformam o conjunto em favorito de um Mundial. Eles fazem algo mais útil: mostram que a parceria já respondeu a perguntas sobre altura, viagens e pistas europeias desconhecidas. Charlie e Ninety chegam a Aachen com evidências recentes, não apenas com ambição.
O que esperar em Aachen?
Aachen é diferente de vencer um Grande Prêmio nacional. O formato de campeonato recompensa regularidade ao longo de percursos exigentes, e a profundidade do campo não perdoa uma única perda de ritmo. As inscrições publicadas da África do Sul relacionam Bays e Ninety Stone Pullman; a declaração final de participantes continua sendo a confirmação oficial antes da prova.
A expectativa responsável não é prever medalhas. É reconhecer que um conjunto cuidadosamente desenvolvido, agora testado em nível quatro estrelas na Europa, conquistou o direito de se medir com o grupo mais forte do mundo. Sua força é a continuidade: o cavaleiro conhece o cavalo desde os primeiros anos, o cavalo subiu cada nível com o mesmo cavaleiro e os melhores resultados recentes apareceram à medida que a exigência técnica aumentou.
Se Aachen é uma prova de confiança sob pressão, Charlie Bays e Ninety Stone Pullman chegam com aquilo que não pode ser apressado: tempo juntos.
Charlie Bays é cliente da Vainqueur Cheval. A Vainqueur produz as casacas de competição de Charlie e de sua equipe. A relação é informada por transparência e não representa patrocínio do evento, da federação ou da equipe nacional.
Fontes e acompanhamento ao vivo
Este perfil utiliza a entrevista de Bays ao Eyewitness News, os registros oficiais do Clube Hípico de Santo Amaro e da Federação Paulista de Hipismo, além do perfil oficial na FEI. Acompanhe a ordem de entrada e os resultados na página da FEI para Aachen.
